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Ameaça à Lei Kandir e eleições de 2018 são destaque no Fórum Mais Milho em Jataí-GO

Publicado em 1 de dezembro de 2017

Discussões importantes e atuais marcaram o 1º Fórum Mais Milho da temporada 2017/18, nessa quinta-feira (30/11), em Jataí-GO. Em torno de 400 participantes acompanharam palestras sobre o cenário político e influência sobre o agronegócio, as variáveis no mercado de milho e as oportunidades de se agregar valor ao cereal por meio de sua conversão em etanol.

Anfitrião da noite, o presidente do Sindicato Rural de Jataí, Vitor Gaiardo, disse que o município foi “credenciado” a sediar o Fórum por ser o berço nacional do milho. “As empresas não recomendavam que se plantasse 30-11_Forum-Mais-Milho_Jatai (23)o milho para a safra de inverno com medo de ‘queimar’ a sua marca porque aquele milho teria baixa produtividade. Mas nós tivemos agricultores que desafiaram a pesquisa e começaram produzindo 35-40 sacas de milho safrinha”, contou. “Então, a segunda safra nasceu aqui em Jataí, e hoje ela é responsável por mais de 70% do que se produz de milho no Brasil”, ressaltou Gaiardo.

No painel político, o jornalista Mauro Zanatta apresentou um panorama da conjuntura atual, citando o longo ciclo de instabilidade desde 2013; a fragmentação partidária; a crise moral e ética; a sobrevida e, ao mesmo tempo, o enfraquecimento do presidente Temer, que “jogará com o peso da caneta” até 2018. Ele acredita que as eleições presidenciais do próximo ano só serão decididas no segundo turno. “O eleitor está cansado da polarização entre esquerda e direita. Por isso, acredito que um candidato de centro têm mais chances de vitória.”

Para o agronegócio, Zanatta, que é comentarista do Canal Rural, aposta em um ano de muitos desafios, com a revisão da Reforma Trabalhista, da Lei de Agrotóxicos, do licenciamento ambiental e do marco temporal da demarcação de terras indígenas. Ele também citou a “novela” do Funrural e a burocracia e forte oposição ao setor pela Anvisa, Ibama, Ministério Público e Funai.

O jornalista observa ainda um Ministério da Agricultura sem força política para atender as demandas do setor – o seguro rural tem um orçamento pequeno, de R$ 550 milhões, e uma execução ainda mais baixa; o pedido de aumento do subsídio para o Plano Safra não foi atendido – e com a provável saída do ministro Blairo Maggi antes de abril para se envolver no processo eleitoral.  “O governo continua atrapalhando e não fazendo a sua parte. O ano de 2018 talvez seja o momento para mudar a representação política do setor rural em Brasília.”

Ameaça à Lei Kandir

Ao participar do debate, o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja-GO), Bartolomeu Braz Pereira, lembrou que a Lei Kandir está sendo questionada no Congresso Nacional, o que também traz grande preocupação aos produtores. “A gente sabe que os Estados vêm pressionando o governo federal para que compense as exportações que são isentas pela legislação, mas parecem não enxergar que a Lei Kandir desenvolveu muito e continua levando progresso para as regiões no interior do Brasil”, ressaltou. Destaque_30-11_Forum-Mais-Milho_Jatai(45)

Bartolomeu ressaltou que o ICMS hoje pode variar entre 12% e 17% dependendo da “fome” dos governadores, e que uma taxação nesses patamares poderia inviabilizar a produção agrícola, que já perde muita competitividade com a logística e infraestrutura deficitárias. “Essa questão da Lei Kandir traz um enorme prejuízo ao agronegócio e à economia brasileira.”

Menos milho em 2018

No painel sobre cenários para o milho, o analista da consultoria Safras & Mercado, Paulo Molinari, destacou que a safra de milho verão está sendo “efetivamente menor”, com redução de até 30% na área plantada na região Centro-Sul e de até 47% em Goiás. Ele também aposta em diminuição das lavouras de milho safrinha em função do plantio tardio, custos de produção e preços atuais. Assim, afirmou o analista, a produção nacional de milho em 2018 deve cair das 109 milhões de toneladas atuais para 92-90 milhões de toneladas.

Fechando o evento, o vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Glauber Silveira, destacou as potencialidades de se produzir etanol a partir de milho. Segundo ele, uma tonelada do cereal gera 400 litros de combustível, além de DDG, um farelo proteico que pode ser destinado à produção animal. Silveira informou que se estudos apontam a viabilidade do etanol de milho no Mato Grosso com a saca de milho custando até R$ 36,00, “seguramente” em Jataí esse valor pode chegar a R$ 40,00 que o negócio ainda é viável.

* Texto: Laura de Paula/Aprosoja-GO